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A coragem da oração - Missa do Papa em Santa Marta

A coragem da oração - Missa do Papa em Santa Marta
 
2013-10-11 - L’Osservatore Romano


A nossa oração deve ser corajosa e não tíbia, se não quisermos obter só  as graças necessárias mas sobretudo através dela, conhecer o Senhor. Se pedirmos, ele mesmo nos trará a graça. O Papa Francisco na manhã de 10 de Outubro, durante a missa celebrada em Santa Marta, voltou a falar sobre a força e a coragem da oração.


À necessidade de rezar com insistência se for necessário, mas deixando-se sempre  envolver por ela, refere-se o trecho litúrgico do Evangelho de Lucas (11, 5-13) «com esta parábola – explicou o Pontífice – do amigo atrevido, o amigo inoportuno», que na noite funda vai pedir pão a outro amigo  para saciar um conhecido que acabou de chegar em sua casa e ao qual nada tinha a oferecer. «Com esta solicitação – frisou – o amigo teve que se levantar da cama e dar-lhe  o pão. E Jesus noutra ocasião fala-nos sobre isto: na parábola da viúva que ia ao juiz corrupto, o qual não a ouvia, não a queria ouvir; mas ela era tão atrevida, incomodava tanto, que no fim, para se livrar dela e não ser mais incomodado, fez justiça,  realizou o que ela pedia. Isto faz-nos pensar  na nossa oração. Como rezamos? Rezamos  por costume, piedosamente, mas tranquilos, ou pomo- nos com coragem diante do Senhor para pedir a graça, para pedir por que lo qual rezamos?.


A atitude é importante porque "uma oração que não seja corajosa – afirmou o Pontífice – não é uma oração verdadeira". Quando rezamos é necessária "a coragem de acreditar que o Senhor nos ouve, a coragem de bater à porta. O Senhor diz, porque  quem pede recebe e a quem procura e bate a porta se abrirá".


Mas, perguntou-se o Santo Padre, a nossa oração é assim? Ou limitamo-nos a dizer: «Senhor  tenho necessidade, fazei-me  esta graça»? Numa palavra, «deixamo-nos envolver na oração? Sabemos bater ao coração de Deus?». Para responder o bispo de Roma voltou ao trecho evangélico, no fim do qual «Jesus nos diz:  de entre vós, qual o pai que dá uma serpente ao filho que lhe pediu um peixe? Ou  se lhe pede um ovo dar-lhe-á um escorpião? Se sois pais dareis o bem aos filhos. E continua: portanto, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, muito  mais o vosso Pai que está no céu... E esperamos que prossiga dizendo: dará coisas boas a vós. Mas não. Não diz isto! Dará o Espírito Santo àqueles que o pedirem. Esta é uma coisa grande».


Portanto «quando rezamos corajosamente, o Senhor não só nos dá a graça, mas doa-se também a si mesmo na graça». «Porque o Senhor – explicou o Papa com uma expressão incisiva – nunca dá ou envia uma graça pelo correio: é ele quem a leva, é ele a graça!».


«Hoje – disse na conclusão – na oração, na colecta, dissemos ao Senhor que nos dê aquilo que nem a oração ousa pedir. E o que é que nós não ousamos pedir? Ele mesmo! Nós pedimos uma graça, mas não ousamos dizer: vem tu trazê-la a mim. Sabemos que uma graça é sempre trazida por ele: é ele que vem e no-la dá. Não façamos má figura aceitando a graça  sem  reconhecer que quem a traz, quem no-la dá, é o Senhor».

 
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