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PROCLAMAR A PALAVRA DE DEUS.

Palavra de Deus:

Livro ou Pessoa Viva?

Fonte: Yone Buyst - Revista de Liturgia n. 89, 1988

 

Ainda é bastante comum a gente chegar no início de uma celebração litúrgica e perceber que a "equipe" de liturgia está procurando leitores para aquela celebração. É muito comum também, as leituras serem lidas de folhetos chamados de "litúrgicos", o padre beijar o folheto no final do evangelho, não estante própria para a Palavra... É muito comum ainda, o leitor não se comunicar com a assembléia e o povo todo acompanhar a leitura lendo o folheto, cada um por si. Em algumas comunidades, insiste-se em que todos tragam a Bíblia para fazer este acompanhamento individual. O que pensar de tudo isso?

1. Fazer a leitura ou proclamar a Palavra?

Geralmente, quem aborda uma pessoa para ser leitor ou leitora, diz o seguinte: "Você pode fazer a leitura hoje?"

Fazer uma leitura assim, até que é relativamente fácil. Se não houver palavras complicadas no texto e se o leitor tiver um mínimo de prática, poderá se sair até bem. Acontece que na liturgia, não se trata de "fazer a leitura", simplesmente. Trata-se de proclamar a Palavra. É bem diferente.

Qual é a diferença?

Pode até parecer que é uma questão de lermos apenas. Mas não é.

Fazer a leitura significa ir lá na frente, ler o que está escrito para informação minha e da comunidade. Ou, no pior dos casos, é apenas uma formalidade. Celebração supõe leitura, alguém deve fazê-la; pouco importa se os presentes entenderam o que foi dito ou se foram atingidos pelo que ouviram.

Proclamar a Palavra é um gesto sacramental. Coloco-me a serviço de Jesus Cristo que, através da minha leitura, da minha voz, da minha comunicação, quer falar pessoalmente com o povo reunido.

O Documento Conciliar sobre a Sagrada Liturgia (Sacrosanctum Concilium) o exprime da seguinte maneira, no artigo 7: "Presente está pela sua Palavra, pois é Ele mesmo que fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na Igreja", isto é, na comunidade reunida.

2. Uma realidade sacramental, feita de sinais visíveis

A presença de Jesus Cristo pela sua Palavra é uma presença simbólico sacramental. Passa pelos sinais sensíveis: o leitor, a leitura, o tom de voz, o lugar da proclamação, a comunicação entre o leitor e ouvintes, a disposição em ouvir da parte da assembléia.

Os sinais realizam o que significam. Mas a significação não é automática, depende da comunicação, depende da compreensão. Depende, portanto, de um trabalho a ser feito pela equipe, preparando os leitores e preparando o povo. Como é que poderá haver comunicação entre Jesus e o povo reunido se os microfones não funcionam direito, se o leitor ou leitora não pronunciam direito as palavras, se a estante da Palavra fica escondida atrás de um pilar, ou se os leitores ficam escondidos atrás da estante? Como é que poderá haver comunicação entre Jesus e o povo reunido, se a leitura vem numa linguagem tão complicada ou erudita que o povo não acompanha, se a homilia não ajuda a olhar a vida, a realidade do dia-a-dia com os olhos de Deus? Como é que poderá haver comunicação entre Jesus e o povo reunido se as preces que são a resposta do povo à Palavra ouvida nas leituras e na homilia vem prontas nos folhetos?

3. O lugar da proclamação da Palavra

O Concílio desenterrou uma expressão antiga: mesa da Palavra. Diz que na Igreja deve haver duas mesas: a mesa da Eucaristia e a mesa da Palavra. Duas mesas nas quais a vida de Cristo é repartida em alimento para nossa vida: o alimento da Palavra e o alimento de seu Corpo e Sangue.

Geralmente, essa "mesa" da Palavra tem a forma de uma estante, em cima da qual se coloca a Bíblia. Mas pode ter também a forma de um tipo de púlpito ou "ambão", principalmente nas igrejas maiores. Em todo caso, não deve ser pequena demais em relação ao altar. Não é bom ter um altar enorme e uma estante insignificante. Daria a impressão que a Palavra não é tão importante. No caso de uma igreja ou capela bem pequena, onde não há espaço para duas mesas, podemos colocar a Bíblia em cima da mesa do altar e fazer a leitura do altar.

Muitas comunidades enfeitam a estante ou com um pano bonito da cor do tempo litúrgico ou com um vaso de flores ou folhagem, ou com velas, ou com um jato de luz.

Observe: na Igreja ou Capela de sua comunidade há um lugar próprio para a proclamação da Palavra? É bem destacado? É enfeitado em dias de festa? Ajuda a gente a dar valor à Palavra de Deus?

4. O livro de onde se faz a leitura.

Em cima da Estante da Palavra, cabe permanentemente uma Bíblia. Quem entra na Igreja, vê a Estante, vê a Bíblia em cima e logo relaciona com a Palavra de Deus. É na Bíblia que devemos fazer as leituras bíblicas, de preferência.

Existem também os lecionários, livros de leitura bíblica na liturgia. Já trazem as leituras certas para cada domingo ou para cada dia da semana. Trazem a vantagem de não precisarmos procurar as leituras na Bíblia, em livros separados, ou pular os versículos que não entram na leitura litúrgica.

O que jamais deveríamos fazer é ler de um folheto! É muito prático, mas como sinal da Palavra de Deus é muito fraco. Muito sem aparência, muito descartável. O folheto é usado neste domingo e depois é jogado fora. Como é que o folheto pode criar em nós o respeito pela Palavra de Deus? Vamos supor que uma comunidade ache difícil procurar as leituras na Bíblia, cada domingo, ou acha difícil a tradução da Bíblia; não tem dinheiro também para comprar os lecionários. Por isso prefere ficar com o folheto. Mas então que coloque o folheto dentro da Bíblia, para que fique clara a origem da leitura. Não é uma leitura qualquer de um "jornalzinho"; é uma leitura da Bíblia.

Além da Estante da Palavra, há ainda outros meios de vivenciarmos a importância da Bíblia como sinal da Palavra de Deus: antes da leitura do Evangelho, a Bíblia é beijada pelo leitor, pelo celebrante e às vezes, também por toda a comunidade, quando esta é relativamente pequena. Nos dias de grande festa, podemos incensar a Bíblia antes da leitura do Evangelho.

Observe: na sua comunidade os leitores usam a Bíblia? O lecionário? Folheto? Quais são os sinais ou gestos usados para valorizar a Bíblia?

5. Os leitores, ministros da Palavra .

Leitura não é aula, não é informação, não é noticiário. Leitura é Jesus Cristo presente com o seu espírito, falando na comunidade, anunciando o Reino, denunciando as injustiças, convocando a comunidade, convidando-a para a renovação da Aliança, à conversão, à esperança, à ação, purificando e transformando-nos. Por isso, alguém da comunidade é chamado a ser ministro, servidor desta Palavra.

Não só pelo conteúdo da leitura, mas por todo o seu modo de ser e de falar, de olhar e de se movimentar, é que o leitor ou a leitora deverão ser, no meio da comunidade, sinais vivos do Cristo-Palavra e do seu Espírito. Se fosse pelo conteúdo da leitura apenas, poderia ser mais interessante cada pessoa ler sozinha num folheto ou na sua Bíblia. Mas a leitura litúrgica é um acontecimento comunitário e sacramental. Jesus Cristo fala à comunidade reunida, pela mediação do leitor ou da leitora. E o Espírito está presente na pessoa que lê e está atuante também nos ouvintes, para que acolham a Palavra em suas vidas. Os ouvintes não são leitores! Os ouvintes devem: ouvir, escutar, acolher a Palavra. Ouvem as palavras proclamadas pelos leitores e têm os olhos fixos neles para não perderem nem uma vírgula, nem um sinal daquilo que é anunciado.

É evidente que o leitor deverá ler e meditar a leitura em casa, durante a semana, para poder ser ministro da Palavra. Ele deve de alguma maneira "sumir" diante do Cristo, a quem empresta sua voz e seu jeito de se comunicar. O leitor é também ouvinte. Enquanto proclama a Palavra, ele presta atenção, como toda a comunidade, para tentar perceber o que o Espírito está querendo dizer à Igreja naquele dia.

Antes da proclamação do Evangelho, está previsto um pequeno gesto, feito em silêncio, que mostra claramente como deve ser a atitude dos leitores.

Quando é um diácono que irá fazer a proclamação, este se inclina diante do sacerdote e pede a sua bênção; o sacerdote, então, diz: "O Senhor esteja em teu coração e em teus lábios para que possas anunciar dignamente o seu Evangelho: em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Quando é o próprio sacerdote a fazer a proclamação ele se inclina diante do altar e reza assim: "Ó Deus Todo-Poderoso, purificai-me o coração e os lábios para que eu anuncie dignamente o vosso santo Evangelho". Os dois textos se referem ao coração e aos lábios. Ao coração, porque é nele que acolhemos a Palavra e o Espírito do Senhor que é Amor; a proclamação deverá partir do coração. Aos lábios porque são o instrumento de comunicação. "Lábios" significa aqui todo o esforço feito para que a Palavra concebida no coração, sob a ação do Espírito possa atingir o coração dos ouvintes, possa gerar neles a Palavra que quer fazer-se carne outra vez, em nossa vida, em nossa realidade. "Lábios" significa: dicção, entonação de voz, ritmo, respiração, ênfase. Devemos deixar que o Senhor esteja presente nesse processo de comunicação e, por isso, devera ser realizado com toda a dedicação e unção possíveis. Também o olhar e a postura do corpo têm parte neste processo de comunicação e até mesmo o alto-falante e a instalação de som.

Observe: na sua comunidade, os leitores estão sendo sinais vivos do Cristo que fala a seu povo reunido? O que poderia melhorar?

6. Silêncio, Salmo, homilia, preces.

As leituras são apenas um elemento da Liturgia da Palavra. Há outros elementos que as vêm completar. Pela homilia, a leitura recebe a sua necessária atualização no hoje da história e da vida da comunidade. O silêncio possibilita a necessária concentração e disponibilidade para ouvir e receber a Palavra, para fazê-la ecoar dentro de nossa mente e nosso coração. O Salmo de resposta responde à Palavra de Deus, com a própria Palavra de Deus. Falamos a Deus com as palavras da revelação, nascidas no decorrer da história do povo de Deus, por inspiração do Espírito Santo e que foram moldando a espiritualidade do povo a caminho.

As preces também são fruto do Espírito que nos faz atentos, ao mesmo tempo, à Palavra proclamada e à história atual, dentro da qual devem ir se realizando as promessas do Pai. Ele nos faz pedir de acordo com o desejo e o projeto do Pai. Ele nos une ao Cristo glorificado sentado à direita de Deus, intercedendo por seus irmãos, acolhendo o clamor do povo oprimido, pedindo libertação. Portanto, as preces devem brotar do momento celebrativo. Devem ser feitas pela comunidade que ficou atenta às leituras e à homilia e que se preocupa com a vinda do Reino dentro de nossa realidade. As preces que vêm impressas nos folhetos, podem às vezes ser muito bem elaboradas, porém, não eqüivalem à oração viva, que nasce por inspiração do Espírito na comunidade, no momento litúrgico e dentro do contexto atual de vida daquela comunidade, daquela assembléia reunida.

7. Concluindo

Em muitas comunidades, a liturgia da Palavra ainda sofre de uma doença muito séria: o formalismo, a rotina. É urgente nos curar deste mal. Devemos redescobrir a liturgia da Palavra como um diálogo vivo, atual de Jesus com os seus discípulos, um diálogo amoroso, através do qual o Senhor vem alimentar nossa esperança, podar nossos vícios, aprofundar nossa fé, botar a comunidade com mais firmeza no caminho do Reino. Mas isso só será possível se gastarmos tempo e energia na formação dos ministros da Palavra e da Oração, se levarmos a sério a presença atuante e dinâmica do Senhor e do seu Espírito em cada liturgia da Palavra que realizamos.

Para encontrar maiores subsídios, procure:

BUYST, Ione. O ministério de leitores e salmistas, 2. ed. Paulinas, 2001 (Col. Rede Celebra)

 
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